O diorama deste conversor digital-analógico pretende representar uma das minhas actividades favoritas: gravar cassetes áudio com canções da colecção de CDs do meu pai.
Ouvir música é uma constante na minha família. Como o meu pai tem cerca de 4000 CDs e 500 vinis, ouvir música em casa é muito mais do que ter o Apple Music ligado a uma coluna Bluetooth, e é muitas vezes uma elaborada experiência analógica que implica todo um ritual e mexer com muito cuidado em aparelhos e objectos sofisticados como capas, plásticos e inlays.
Gravar cassetes então é um processo ainda mais lento que dá muito trabalho, mas que adoro precisamente por causa disso.
Primeiro, temos de aprender a mexer nos aparelhos. Tenho em casa dois leitores e gravadores de cassetes (um Denon F88 e um Technics M8) e cada um tem os seus truques e manias.

Depois, é preciso arranjar cassetes de áudio virgens na net já que é muito difícil encontrar lojas que ainda as vendem.
Também é preciso fazer contas para saber quantas músicas vão caber em cada lado de uma cassete (não há nada pior do que uma canção ficar cortada a meio!) e não esquecer nunca que 1 minuto tem 60 segundos e não 100 quando se está a somar.
Por fim, é preciso fazer a capa da cassete com o nome das músicas, o autor, a duração e até alguns desenhos para tudo ficar mais giro e personalizado.


Antes disto tudo também é preciso pensar que tipo de cassete vamos gravar. Gosto de arranjar conceitos. Por exemplo, já gravei uma cassete em que a primeira letra do título de cada canção segue a ordenação do alfabeto.
Apesar de também gostar de ouvir música por streaming ou através de CDs, prefiro ouvir música analógica (cassetes e vinis) pelas seguintes razões:
- o som é diferente, mais “cheio” e “quente” e gosto de ouvir aqueles estalinhos que o meu pai diz serem “ruído de superfície”;
- há um ritual em que mexemos em coisas delicadas e em aparelhos muitos giros;
- ouve-se música de uma forma mais activa: o analógico exige mais de nós e força o nosso envolvimento;
- aprendemos a ouvir discos inteiros em vez de apenas uma ou outra canção;
- contrariamente ao streaming, ouvir música a partir de suportes físicos permite ter acesso a todo o grafismo das capas e inlays (sobretudo se forem vinis por ser tudo maior);
- há poucas pessoas que ouvem música assim e quando o faço sinto-me um dos raros guardiões de uma tradição quase esquecida;
- por fim, acho que o analógico é mais “humano”, porque, tal como nós, o seu som envelhece e eu gosto disso; ouvir um disco muito antigo dos Beatles, por exemplo, é também ouvir o tempo que passou nos ruídos do vinil.
Por isso, quando na aula de Educação Tecnológica foi pedido um diaroma imaginei logo algo que reproduzisse esta minha actividade de converter a música digital dos CDs do meu pai em cassetes áudio analógicas.

O meu primeiro desenho do diorama definia desde logo as suas três componentes: CD, conversor e cassete (K7).
Como o diorama tinha de ser numa caixa de vinho, percebi logo que ia ter problemas de espaço. Para resolver esta dificuldade, tratei, em primeiro lugar, de arranjar uma caixa maior (de três garrafas em vez de uma). No entanto, o espaço continuava curto. Foi então que me lembrei que uma das embalagens de K7s virgens que comprámos na net há tempos trazia como extra um mini-CD com duas músicas manhosas e que a minha avó Manela tinha uma mini-K7 áudio antiga de um gravador de voz portátil. Ambos ocupavam muito menos espaço!
Para o conversor, quis o acaso que, num fim-de-semana de tempestade, um relâmpago tivesse queimado o modem do nosso vídeo-porteiro e fosse necessário comprar um novo. Pedi logo ao meu pai para não deitar o velho para reciclar e resolvi desmontá-lo e aproveitar uma das placas com circuitos integrados para simular o conversor no diorama.
Faltava o fundo. Tive duas ideias que acabaria por abandonar. Ou pelo menos parcialmente.

A primeira era colocar gráficos de um sinal binário do lado digital e curvas do lado analógico. A outra era colocar uma série de 1s e 0s a verde em fundo negro do lado digital (como o filme Matrix) e um electrocardiograma antigo da minha avó do lado analógico.
Foi então que me lembrei que um conversor digital-analógico é uma espécie de regresso ao passado, na medida em que transforma uma tecnologia mais moderna noutra mais antiga. E foi assim que me lembrei de dar o nome do meu filme favorito de sempre ao diorama: Back To The Future!

Assim, decidi que o fundo seria uma espécie de vórtice espacial para representar uma viagem no tempo. Poderia ainda aproveitar a ideia dos 0s e 1s para o lado digital e das curvas para o cabo elétrico que ligaria o conversor D/A à K7.
E pronto. Com tudo planeado, lancei-me ao trabalho!










Material utilizado:
- uma caixa de 3 garrafas de vinho;
- um mini-CD e uma K7 miniatura;
- uma placa de circuitos integrados de um modem;
- um cabo eléctrico rígido;
- tinta preta mate para madeira;
- canetas POSCA (preto, branco, azul escuro, azul claro, amarelo, vermelho e verde);
- muitos parafusos de madeira;
- super-cola;
- bloquinhos de madeira;
- dois fios com leds luminosos.

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